Monday, April 19, 2010

Sobre vulcões

Com a colaboração dos grandes mestres Affonso Dalla Libera, Rodrigo Debus e Gustavo Cascardi.

" Como entender a realidade, ou ao menos tentar, sem aceitar que a capacidade cognitiva humana é incapaz de abarcar todos os elementos que atuam sobre qualquer fenômeno que ocorra de forma aparentemente isolada? E que fique claro, aparentemente, porque há uma interligação entre todo e qualquer evento, ou, como expõe Prigogine (1996, p. 26) “o acontecimento mais insignificante pode mudar o rumo da história”.
Para fazer uma analogia ao entendimento da ciência, a própria estrutura de relações de consciência do cérebro humano é complexa, formando um paralelo com os sistemas com os quais o ser está lidando (TONONI & EDELMAN, 1998).
Mas a doutrina de estudos que impera na sociedade humana é a da divisão cartesiana e disciplinar, do isolamento dos objetos para um entendimento dito analítico. É comum usar uma lógica reducionista e repetível, de cunho evidentemente analítico, que facilita a abordagem de assuntos com inúmeras facetas, impossibilitando, porém, uma visão compreensiva da realidade. Esta é a forma que se dá a educação escolar, através de exposição separada de disciplinas, sem que sejam realizadas conexões adequadas entre elas. Quais as ligações, por exemplo, que são dadas no ensino fundamental entre história, biologia e geografia? Ainda assim, se se pensar de forma integrada, é impossível dissociar as abordagens interdisciplinares que explicam a realidade. Outrossim, a didática atual busca mais professar verdades universais do que alcançar o entendimento, ainda que incipiente, da realidade complexa.
Diante do exposto, este artigo busca discutir como o clima se apresenta, relativamente ao mercado de commodities, sob a ótica da complexidade, da visão sistêmica e holística".

Escrevemos isto originalmente abordando a influência do clima no ambiente do agronegócio. Mas é uma idéia que faz sentido. Eu adoto via de regra uma visão extremamente reducionista e prática de abordar problemas científicos, um positivista puro (não fosse economista). Mas lendo que a erupção do vulcão islandês de impronunciável nome teve efeitos econômicos tão desastrosos quanto o 11 de setembro, têm-se uma idéia de como o incalculável é relevante.

E por falar em 11 de setembro, percebe-se que os bancos americanos estão se preparando arduamente para reconstruir um sistema tão frágil como o que recentemente faliu. Qual erupção causa mais estragos?


Referências

PRIGOGINE, Ilya. As leis do caos. São Paulo: Editora Unesp, 2002.

TONONI, Giulio & EDELMAN, Gerald M. Consciousness and Complexity. Science Magazine, Washington DC, EUA, v. 282, p. 1846-51, dezembro, 1998.

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