Especificamente quero abordar o assunto "consumo local". Mais de uma pessoa que trabalha nesta área de economia ambientalmente sustentável (que eu respeito, mas acho que lhes falta consciência das teorias mais básicas) me profetizou as maravilhas do tal "consumo local", uma maneira de disseminar estruturas produtivas (especialmente de alimentos) perto dos centros de consumo, reduzindo gastos de combustível fóssil pelas menores distâncias a serem percorridas e alguns outros argumentos pró-agricultura familiar e coisa que o valha.
Olha, sinto muito, mas isto me parece uma conversa muito chata e com ares de protecionismo comercial (ainda que os defensores da idéia não admitam isso). A participação de commodities agrícolas é mais substancial para nações em desenvolvimento que, em vista de tal proposição tomar lugar, perderiam mercado para seus excedentes produtivos, devendo comercializá-los localmente, o que levaria a uma queda de preço e, nos ensina microeconomia 101, redução da oferta até um novo equilíbrio. Este novo equilíbrio a priori teria efeitos catastróficos em estruturas produtivas agrícolas de países como Brasil e Argentina do ponto de vista econômico. Em situação tal, fazendeiros argentinos, obrigados por determinação comercial a vender seus produtos no mercado interno viram os preços de suas safras cair a tal patamar que se recusaram a abastecer os centros urbanos com alimentos. Resultado? Racionamento de comida.
Mas sustentabilidade está muito de moda e esses "teóricos" se defendem por trás de termos politicamente corretos de um mundo perfeito que eu não viverei para ver.
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