Por um lado estao os otimistas, os que ressaltam os avanços do Brasil e nao veem limites para o crescimento do belo país.
Já por outro lado estao os que preveem um futuro nem tao verde-amarelo-azul.
É uma mera questao de obviedade teórica para saber quem está certo. Mesmo que você ache que na prática a teoria é outra, dificilmente discordará da argumentaçao bastante intuitiva que segue:
Seja a seguinte funçao de produçao uma estimativa da economia brasileira:
Y = f(A,B,C).
Onde Y é o produto econômico, PIB se quiser, B e C sao fatores produtivos determinados aqui como trabalho e capital e A é a infraestrutura do país. Nao preciso explicar o papel de nenhum desses elementos na capacidade de geraçao de riqueza em uma naçao e também nao digo que este é um modelo completo, é apenas uma ilustraçao.
É fundamental estabelecer que é um modelo de rendimentos CONSTANTES de escala para o conjunto de variáveis explicativas (à esquerda da equaçao) e de rendimentos DECRESCENTES de escala para estas mesmas variáveis analisadas isoladamente. Ou seja:
2Y = f(2A,2B,2C) ou simplesmente 2Y = 2f(A;B;C). Dobram os fatores, dobra o produto.
Por outro lado, imagine que dobre o fator trabalho, mas permaneça constanteo fator capital. Chegará um momento em que o excesso de mao-de-obra REDUZIRÁ o rendimento do capital e nao o aumentará. 1 funcionário trabalhando em uma máquina pode retirar apenas 50% do rendimento desta máquina, 5 funcionários farao a máquina render 90%, mas 20 funcionários disputarao espaço e farao com que o rendimento da maquina volte ao patamar atingido com apenas 1 funcionário.
Agora a situaçao do Brasil nao é essa. Temos aumento da mao-de-obra (inclusive qualificada) e uma situaçao favirável de investimento (que se relaciona diretamente com capital), mas a infraestrutura nao segue o mesmo padrao de evoluçao. Nao interessa a falácia do PAC e alguma ou outra melhoria, O BRASIL TEM UMA INFRAESTRUTURA PRECÁRIA. Isso se reflete em escoamento de produçao, aglomeraçoes industriais urbanas em níveis insustentáveis (já que as empresas buscam estar próximas àquelas infraestruturas mais desenvolvidas) e uma série de outros problemas (qualquer ex-estudante de comércio exterior, como eu, sabe as condiçoes dos portos brasileiros e o tal de "custo Brasil").
Entao a conclusao é que o nosso crescimento em trabalho e capital chegará a um ponto no qual nao somente será estancado pela nossa infraestrutura precária, mas é lógico que a partir de um certo ponto inclusive REDUZIRÁ a nossa capacidade produtiva global. Basta que o governo nao faça o que deve fazer, invista errado e chegaremos a esta inflexao da curva produtiva do país, quando nosso produto marginal será nao apenas decrescente como NEGATIVO.
Update: Vim no ônibus pensando a respeito e concluí que meu exemplo de rendimentos decrescentes de escala talvez não tenha ficado claro como poderia: Imagine você (trabalho) no seu trabalho com o seu computador (capital). Agora imagine que sua empresa contrata mais 10 trabalhadores e não compra nenhum computador. 5 desses novos trabalhadores compartilharão do seu computador. Imagino eu que o rendimento global da sua empresa DECRESCERÁ em função da desorganização instaurada. Parece óbvio.
Update: Notícia da Istoé Dinheiro de 2 de abril sobre as evoluções do PAC e lançamento do Pac 2: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/18435_E+DE+DAR+SONO
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