Estava refletindo sobre esta prática americana de tipping, ou se preferir, de dar gorjeta de 20% sobre os serviços que lhes são prestados (táxi, alimentação, etc.). Cheguei um tempo a pensar que se tratava de uma prática com fundo social, de contribuição ao pobre salário destas pessoas que trabalham em "subempregos".
Mas acontece que eu estava enganado. A visão do americano típico é de contribuição a rendimentos melhores, quer dizer, a expectativa de ganhar uma bela gorjeta faz com que o serviço seja melhor prestado. Sem as tips, dizem eles, a qualidade do serviço seria ruim.
Mas bem, então a qualidade do serviço é uma variável dependente da expectativa de receber uma quantia do CONSUMIDOR. Vejo muitas similaridades disso com a prática de bribery, de suborno. As coisas funcionam (e bem) se você passar por cima da coordenação laboral (relação empregador-empregado) e passar um "por fora". É claro que são comportamentos distintos em sua filosofia, mas a lógica de funcionamento me parece bastante similar. Controle de rendimento me parece que deve ser exercido pela lado ofertante e não pelo demandante. Cria-se uma cultura de eficiência condicionada e contribuição compulsória. Tem todas as características de uma falha de mercado. Seja esta solução "cultural" justa ou não, funciona. Mas até onde os fins justificam os meios?
Saturday, April 10, 2010
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