Da reportagem Brasil ocupa o sexto lugar no ranking mundial do empreendedorismo:
"— Não basta abrir o negócio mesmo quando observamos que o mercado está crescendo. É importante para ter competitividade, criar produtos e serviços mais inovadores."
Genial ponto de vista do Sr. Okamoto, Presidente do Sebrae. Genial por nao dizer nada e ainda parecer que faz sentido. Sao de uso comum, especialmente entre administradores de empresas, esses termos vagos que, evidentemente, tem algum significado, mas nao da forma com que sao utilizados.
Uma menina nao muito inteligente que trabalhava no Centro Tecnológico da UFJF alguns anos atrás ao ver a desorganizaçao extrema na minha mesa de trabalho (meramente aparente, eu encontrava tudo em segundos) disse em tom de urgência: Precisamos fazer um 5S na sua mesa!!!!
Ora, amiga, use seu cérebro. 5S representa uma filosofia japonesa de organizaçao, asseio e manutençao do local de trabalho e carrega um grande conteúdo cultural. Limpar minha mesa seria exatamente isso: LIMPEZA, nao 5S (mas provavelmente ela leu diferente nestes best-selling books de como administrar o mundo em 5 passos).
De qualquer maneira, o Sr. Okamoto fala em competitividade e esquece que é um termo bastante amplo, de interpretaçoes distintas dependendo do ambiente. É basicamente a capacidade de competir: e se você acha que se tornar competitivo (ter a capacidade de competir) se baseia em uma técnica unívoca para todos setores e segmentos (mercadológicos e geográficos), escreva um livro sobre isso e armazene bem os seus milhoes.
Logicamente inovaçao é importante.É importante em vários sentidos, mas o Brasil nao é um país inovador em termos empresariais. Pode se culpar uma série de fatores por isso, mas eu nao culpo, acho que seguimos nosso caminho copiando (copiar BEM nao é feio, consulte isso em algum livro-texto de Crescimento Econômico). Mas eu diria que nos falta inovaçao (ao menos de produto) até por um fator cultural: o brasileiro gosta do que é importado, do que o americano gosta, do que o europeu gosta. Logicamente, uma empresa brasileira terá uma dificuldade enorme em entender o mercado destes países, ao passo que empresas destes países o fazem e nos exportam (e eventualmente produzem no nosso país, de acordo com a perspectiva de Ciclo de Vida de Produto do nosso glorioso Raymond Vernon).
Entao está aí, copiar pode tornar uma empresa competitiva, por que nao? Reduzir custos também, nao? E inovar é apenas uma maneira de reduzir custos, acredite.
E o que seria um produto ou serviço "mais" inovador? Seria algo como uma mulher "mais" grávida?
Wednesday, April 7, 2010
Subscribe to:
Post Comments (Atom)

No comments:
Post a Comment